O coração e a garrafa, de Oliver Jeffers


Ficha técnica
TítuloO coração e a garrafa
Autor – Oliver Jeffers
Editora – Orpheu negro
Páginas – 34
Datas de leitura – 17 de março de 2017


Opinião
É tãaaao saboroso intercalar leituras adultas com leituras infantis! Tiro o chapéu aos inúmeros autores que se dedicam a escrever para os mais pequenotes, porque não considero fácil condensar em poucas palavras uma história apelativa, que prenda os leitores mais jovens e os faça agarrar o livrinho, espreitar as imagens, relacioná-las com o texto e consciente ou inconscientemente compreender que o que leram ou ouvirem alguém ler os levará a crescer.
Em O coração e a garrafa deparámo-nos com um dos maiores medos dos mais pequenos – a perda de alguém que os protege, que os defende e que os guia no conhecido e no desconhecido. Em pouquíssimas páginas, sentimos o nosso coração encolher perante a perda e a reação da menina protagonista face à mesma. A perda traz dor, rouba a redoma que qualquer criança constrói para si e para os seus e para que não se repita, para que não se sinta retraída de dor e completamente desamparada, é preferível arrancar o mal pela raiz – arrancar o coração e guardá-lo numa garrafa.
Contudo, sem coração não há dor, não há sofrimento, mas também não há alegria, prazer, carinho, amor. E isso até os mais pequenotes acabam por descobrir, mais cedo ou mais tarde.
Foi outra ternurinha dorida, outra leitura que me fará continuar em busca de outras histórias infantis que, com um número reduzido de letras e palavras, conseguem o que muitas leituras adultas não conseguem – tocarem-me, aquecerem-me, agasalharem-me como um abraço e um mimo das pessoas que mais amo.
É obviamente uma leitura recomendada! Muito recomendada!

NOTA – 09/10

Sinopse
O Coração e a Garrafa fala-nos de uma menina fascinada com o mundo à sua volta. Até que um dia algo aconteceu que a fez pegar no seu coração e guardá-lo num sítio seguro. Pelo menos durante algum tempo… Só que, a partir daí, nada parecia fazer sentido. Saberia ela quando e como recuperar o seu coração?
Com esta história comovente, Oliver Jeffers explora os temas difíceis do amor e da perda, devolvendo-nos, de maneira notável, um sopro de alento e de vida.

Uma praça em Antuérpia, de Luize Valente


Ficha técnica
TítuloUma praça em Antuérpia
Autora – Luize Valente
Editora – Saída de Emergência
Páginas – 352
Datas de leitura – de 07 a 13 de março de 2017


Opinião
De volta à Segunda Grande Guerra.
Comprámos este livro na Feira do Livro do ano passado (sim, já estou nas leituras de setembro J). Recomendei-o ao maridinho, sugeri-lhe que lesse a sua sinopse e mais não foi preciso. Uma praça em Antuérpia foi a sua “compra individual” (tínhamos “direito” a comprar um livro para cada um e outro que agradasse a ambos).
Nenhuma leitura que seja sobre este conflito que me fascina é um desperdício de tempo. Nenhuma. Porque todas me alimentam o fascínio, todas me fazem saber um pouco mais e todas me transportam para uma época que infelizmente me obriga a compreender melhor o que se vai passando mais de setenta anos depois. Esta de Luize Valente tão-pouco foi uma perda de tempo, pois não só me alimentou o referido fascínio, me alargou os conhecimentos sobre a referida contenda, como também me proporcionou regressar a Antuérpia após lá ter estado há 6 anos.
Foi assim uma leitura perfumada com um cheirinho muito pessoal, de nostalgia e de recordações soberbas de umas férias por terras belgas.
Quem consulta a sinopse de Uma praça em Antuérpia fica a par da trama da obra e das suas protagonistas, cujas vidas serão viradas do avesso com o estalar da guerra e sobretudo com a chegada do exército nazi a terras belgas. Clarice e Olívia são duas irmãs gémeas portuguesas detentoras de um carácter doce mas determinado e com as quais facilmente criamos empatia. São obviamente as personagens principais da obra, embora os percalços da vida de uma ganhem primazia face à existência mais pacata da outra. É uma delas que por causa de um grande amor saltita entre duas cidades portuguesas e passará os momentos mais felizes da sua vida na florescente cidade de Antuérpia. É também as recordações dessa gémea que unem pontos desfeitos e criam ligações entre os anos 30 e 40 e os primeiros dias do novo milénio.
A narrativa está assim dividida entre o passado e o presente e à medida que vamos avançando na sua leitura vamos compreendendo que a obra está repartida num prólogo e em mais cinco partes. Somos detentores, desde as páginas iniciais, da revelação de um dos fatores principais (senão do principal) para o desenrolar da trama e todas as suas restantes páginas são um buscar do porquê, do como, do quando e do onde. Não considero que a opção da autora em fazer essa revelação tão prematuramente faça decrescer o interesse do leitor pelo que se passará nos seguintes capítulos. Acho sim que Uma praça em Antuérpia nos proporciona uma leitura deveras interessante, com personagens atrativas e um enredo aliciante. Só creio que o final peca por parecer pouco credível e rebuscado, o que sempre me faz torcer o nariz e consequentemente baixar a pontuação final.
Já referi nesta opinião que a leitura desta obra foi muito aprazível não só pelo seu conteúdo, mas igualmente porque trouxe ao de cima recordações de dias recheados de sabor. Uma das protagonistas chega a Antuérpia de comboio e deslumbra-se com a majestosidade da estação da cidade. Também eu, há seis anos atrás, segui os passos de Clarice e fiquei longos minutos a admirar a beleza de Antwerpen Ceentral, a compará-la a uma catedral. A mesma personagem viveu momentos inesquecíveis em Grote Markt, a praça principal da cidade. Também eu percorri com os olhos todos os seus cantinhos, contemplei os seus edifícios, as estátuas que encimam alguns deles, a fachada repleta de bandeiras da sua câmara e os pormenores da estátua central cuja lenda nos informa da origem do nome da cidade. Estive apenas um dia em Antuérpia, mas não mais esquecerei a sumptuosidade da sua arquitetura e o facto de o meu filhote ter compartilhado breves momentos de brincadeira com um menino judeu, num jardim polvilhado de família judias, com as suas vestes e penteados tradicionais.
Deixo-vos por fim algumas fotos que comprovam a minha passagem por Antuérpia e que vos podem abrir o apetite não só para visitar a cidade como também para ler o quanto a mesma foi determinante para moldar Clarice enquanto mulher de um carácter doce e determinado.


Interior da Estação de Antuérpia


Exterior da Estação


Grote Markt



Grote Markt


NOTA - 08/10 

Sinopse

Há uma saga que ainda não foi contada sobre a Segunda Guerra Mundial: a história de duas irmãs portuguesas, Olívia e Clarice. Olívia casa-se com um português e vai para o Brasil. Clarice casa-se com um alemão judeu e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Ambas vivem felizes, com maridos e filhos, até que a guerra começa e a Bélgica é invadida.
Para escapar da sombra nazi que vai devorando a Europa, a família de Clarice conta com a ajuda de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que salvou milhares de vidas emitindo vistos para Portugal, em 1940, enquanto atuou em Bordéus, França. A família recebe o visto mas, ao chegar à fronteira de Portugal, um destino trágico a espera... Destino que vai mudar e marcar a vida das irmãs para sempre, por causa de um segredo que só será revelado sessenta anos depois.

Esplendor, de Margaret Mazzantini


Ficha técnica
TítuloEsplendor
Autora – Margareta Mazzantini
Editora – Editorial Planeta
Páginas – 384
Datas de leitura – de 24 de fevereiro a 07 de março de 2017

Opinião
Não é fácil escrever sobre Margaret Mazzantini. Não é fácil escrever sobre o impacto que as suas obras, o seu estilo, as suas histórias, as suas personagens têm em mim desde que a descobri há mais de sete anos, com a obra Não te movas (ver opinião aqui). E não é nada, mas nada fácil transmitir aos outros o quanto esse impacto é abalroador e o quão injusto que esta autora italiana seja desconhecida para tantos e tantos e o quanto esses tantos e tantos perdem por nunca terem lido nada do que ela já escreveu.
Margaret Mazzantini é, como se pode claramente deduzir, uma das autoras da minha vida. Ocupa por mérito próprio, ao lado de José Saramago e de Almudena Grandes, um lugar no selecto grupo de escritores que me definem como leitora, que alicerçaram e refinaram os meus gostos literários e que me fazem continuar a crer que, depois de carradas de anos e devorar livro atrás de livro, há quem possua “engenho e arte” para surpreender-me, para agarrar-me, para descabelar-me e para esmurrar-me as emoções.
Até hoje li cinco obras de Mazzantini. Além da referida Não te movas, está igualmente traduzida para português aquela que considero a sua obra maestra, aquela que felizmente ou não, tenha estabelecido a fasquia demasiado alto e tenha feito com que sinta que sou demasiado exigente quando leio qualquer outra obra sua. Vir ao mundo é, sem dúvida alguma, uma das obras da minha vida e é tão, mas tão perfeita que se torna praticamente impossível nivelá-la com as demais, mesmo as que tenham saído da genialidade da sua criadora. É por isso que sinto que posso ter sido parcial ou ter atribuído apenas nove em dez valores a obras como Nadie se salva solo ou Mar de mañana
Sendo assim, começo a opinião de Esplendor remediando essa “injustiça e parcialidade”. Estive indecisa até agora sobre que nota atribuir à sua leitura. Mas acabou-se neste momento a indecisão. A sua narrativa, as suas personagens e consequente amadurecimento, a explosão visceral de sentimentos e emoções, a banda sonora que os acompanha, tudo é merecedor de nota máxima. Sim, é verdade que não estamos a falar da mesma perfeição que saboreamos em Vir ao mundo, mas na próxima vez que ler esta obra (a releitura terá que ser feita obrigatoriamente este ano – os níveis de ansiedade por mergulhar de novo na sua história assim o exigem) terei que remendá-lo, atribuindo-lhe um onze numa escala cuja nota máxima é, como sabem, um dez!
Esplendor traz-nos algo que já não via desde Não te movas. Um protagonista e narrador masculinos. Mas nada que “manche” aquilo que é apologia desta sublime autora – uma narrativa prenhe de emoções, de sentimentos, de vida, de dores, de tristezas, de sonhos concretizados e desfeitos, de ninharias e de acontecimentos marcantes, de vida, de vidas que poderiam ser perfeitamente as nossas.
Guido e Constantino conhecem-se desde crianças. Um vive no quarto andar do prédio, o outro vive na cave. Um é filho único de um casal de burgueses endinheirados, o outro é filho do porteiro que, além das funções inerentes à sua função, trata da casa dos pais de Guido quando estes se ausentam de férias. Não têm praticamente quase contacto nenhum, mas sabem da existência um do outro. À medida que crescem, vão-se aproximando, sobretudo porque acabam por pertencer à mesma turma e por partilhar uma viagem de estudo que os vai marcar para sempre.
Estamos nos anos setenta. Estamos perante dois mundos distintos. Estamos perante dois produtos desses mundos.
Guido tem uma adoração doentia pela mãe, de quem venera a beleza, mas a quem quase não vê, com quem não partilha carícias, mimos, amor. Mal dirige a palavra ao pai e vai colmatando essa ausência dividindo o tempo livre e os conhecimentos com um excêntrico tio materno. É assim uma criança e futuramente um jovem isolado, sofrido e atormentado com os seus pensamentos e demónios pessoais.
Constantino é uma personagem que, à partida, se nos afigura como mais plana. Vive com os pais e a irmã, vai guardando como relíquias os brinquedos que Guido vai deitando fora e mostra, perante os outros, uma estudada indiferença que apenas se esvai quando pratica polo aquático e sente que a relação entre ele e Guido se vai tornando mais próxima.
Dois rapazes distintos, de mundos distintos, mas que se aproximam, se apaixonam e iniciam uma relação. Homossexualidade, Itália dos anos setenta e anos oitenta, mentalidades não preparadas para lidar com um amor condenado por tudo e por todos, olhares acusadores, desconfiança, busca de privacidade, medos, preconceitos, segredos, comportamentos ditados pelo disfarce. Tudo isto era matéria mais do que suficiente para criar um cativante romance. Mas Esplendor possui isto e muito mais. Porque não posso dizer que seja um romance que aborda apenas a homossexualidade e o preconceito inerente a esse tipo de amor. E é aí que reside a genialidade de Mazzantini.
Esplendor é, como é afirmado na sinopse, um relato hipnotizante que se serve da vida destes dois homens, principalmente da de Guido para não só sentirmos como o mundo e a vida avançaram desde os anos setenta até aos dias de hoje, como para, acima de tudo, compreendermos que qualquer amor transborda de beleza, como qualquer pessoa enamorada quer estar ao lado da pessoa que ama, quer dar-lhe a mão, quer olhá-la nos olhos e ver no olhar do outro o reflexo do profundo sentimento que os une, quer sentir que esse sentimento lhe providencia a audácia e a vertigem para prosseguir e ser feliz.
Sinto-me, após o que escrevi, esvaída. E feliz. Sempre me sinto assim quando leio, falo ou escrevo sobre Mazzantini. Não sei, mais uma vez, se consegui fazer-lhe justiça, se consegui que mais leitores queiram conhecer esta autora italiana. Se tiver que implorar, faço-o, porque a causa é mais do que boa. É sublime!
Recomendadíssima esta obra. Tal como qualquer outra desta autora que infelizmente deixou de ser traduzida em Portugal… Não deixem que a língua seja um entrave. Em português têm publicadas as obras Não te movas e Vir ao mundo. As restantes estão disponíveis em inglês e em espanhol.
Quanto a Esplendor… nota máxima! Merecidíssima!
Termino partilhando outra das marcas da sublimidade desta obra – a sua banda sonora:

Nota – 10/10

Sinopse

Una luminosa historia de amor entre dos hombres se abre paso en una sociedad marcada por el prejuicio. ¿Llegará el día en el que tengamos el coraje de ser nosotros mismos? Ésta es la pregunta que se plantean los dos inolvidables protagonistas de esta novela. Dos niños, dos hombres, dos increíbles destinos. Uno es intrépido e inquieto; el otro, sufrido y atormentado. Una identidad hecha pedazos que es necesario recomponer. Una conexión absoluta que se impone, la hoja de un cuchillo en el filo del precipicio de toda una existencia. Guido y Constantino se alejan, kilómetros de distancia los separan, establecen nuevas relaciones, pero la necesidad del otro se resiste en aquel primitivo abandono que los lleva a ellos mismos al lugar en el que descubrieron el amor. Un lugar frágil y viril, trágico como la negación, ambicioso como el deseo.

Le petit bateau de petit ours / J'ai peur de savoir lire




Ficha técnica
TítuloLe petit bateau de petir ours
Autoras – Eve Bunting e Nancy Carpenter
Editora – Pastel
Páginas – 40
Data de leitura – 20 de fevereiro de 2017





Ficha técnica
TítuloJ’ai peur de savoir lire
Autor – Olivier de Solminihac
Editora – L’école des Loisirs
Páginas – 72
Data de leitura – 04 de março de 2017

Opinião
Sempre que me junto à mesa com alguém que tem conhecimento do meu lado de leitora assumidamente compulsiva, é normal que o tema de conversa recaia em leituras, partilhas de dicas e de experiências.
Há umas semanas atrás, enquanto saboreávamos um almocinho de trabalho e falávamos sobre as leituras que partilhamos com os respetivos filhotes, uma colega contou-me que todas as noites lia para os dois filhos, que eles reclamavam se ela não o fizesse. É óbvio que de imediato lhe respondi com um sorriso e um brilho nos olhos e, perante essa reação, a colega disponibilizou-se em emprestar-me dois desses livrinhos que foi lendo para os filhos e que lhe haviam tocado de forma especial.
Uns dias depois tinha esses livrinhos cá em casa e não deixei que o facto de estarem escritos em francês (uiiiii, onde andava o meu francês, há tanto tempo arrumadinho nas gavetas da memória…) me travasse a vontade de saboreá-los.

Comecei pelo mais pequenino, pelo que tinha menos páginas e menos texto. Senti-me orgulhosa de mim mesma porque entendi tudo o que li – a tarefa também não era muito complicada, já que as ideias repetiam-se, como é habitual num livro infantil, adequado a idades precoces. Mas, para além do orgulho, senti principalmente ternura, carinho e uma vontade enorme de encher de mimos um ursinho (que bem podia ser um menino pequenino) que sofre as “agruras” do crescimento e tem que deixar para trás o brinquedo que mais amava:
"Le destin d'un petit ours est de grandir et de devenir un grand ours. Le destin d'un petit bateau est de rester un petit bateau."

Uns dias mais tarde aventurei-me no segundo livro, aquele que tem como protagonista um rapazinho que está a ter alguns problemas com o seu rendimento escolar. Para tentar remediar a situação, a sua mãe tenta convencê-lo de que ler é saber mais, de que um livro, de que uma história contada num livro pode não só proporcionar uma companhia deliciosa como pode igualmente alargar os nossos conhecimentos de ortografia, de vocabulário e de outras matérias. Ora, como mãe e como mãe leitora e apologista de leituras partilhadas com os filhos identifiquei-me por completo com a progenitora do protagonista, com as estratégias que ela usa para que Stéphane ganhe o gostinho pela leitura e para que posteriormente seja capaz de embarcar na descoberta de qualquer história sozinho.
Senti desta vez mais dificuldades em desbravar o texto em francês, mas o essencial ficou. A história é deveras sublime, contadinha como só o sabem contar autores que escrevem para os mais pequenos e que têm o dom de, em poucas palavras, transmitirem os mais sábios ensinamentos. É por isso que continuarei a saborear com todo o deleite qualquer obra infantil que me caia nas mãos.
Deixo-vos alguns fragmentos que me tocaram:
Elle dit: Comment on fait, maintenant? On li un chapitre chacun? Un paragraphe chacun? Ou une phrase?” (Como isto me soa familiar J)
Maman dit que la lecture c’est une question d’endurance, comme faire de la natation ou du vélo ou du dessin: plus on en fait et plus c’est facile d’en faire.”
Grandir, c’est apprendre a devenir seul.” (Mais uma vez, as agruras do crescimento…)
Le livre a commencé à me captiver. Je suis prisionnier(…)”
Le livre et moi, on a ce secret ensemble.”

Resta-me agradecer (e muito) à Susana e sobretudo aos seus filhotes:
Merci, João! Merci, Rafael!

NOTA – 10/10

Sinopse
(J’ai peur de savoir lire)
Le CE2, c est sérieux. Il y a ceux qui sont forts en calcul, comme Sofia, qui a avalé une calculatrice quand elle était petite. Il y a ceux qui sont forts en tout, comme Georges-Louis, qui va bientôt donner des cours à la maîtresse.
Et il y a Stéphane, qui a envie d avoir de bonnes notes, qui est d’accord pour bien faire ses devoirs, pour devenir fort en calcul, pour apprendre la signification de mots aussi compliqués que cobalt et tungstène, et pour lire tous les livres qui sont sur son étagère. D’accord pour tout cela, oui, mais pas sans sa maman.